03 setembro 2014

SOBRE A IGNORÂNCIA II

Há uma ignorância escondida na base de todo o sofrimento: a ignorância/ilusão que imagina (existir em permanência) um "eu".
ABT/NA

02 setembro 2014

SOBRE A IGNORÂNCIA I

Buda identificou as "Três Características Universais", assim designadas por serem comuns a todas as coisas que existem no universo (sankhata): Transitoriedade, Insatisfatoriedade e Insubstancialidade.
E definiu a ignorância como o entendimento do impermanente (transitório) como permanente, do desagradável (insatisfatório, pernicioso) como agradável (satisfatório, edificante), e do que não tem substância como tendo uma substância em permanência (uma personalidade, uma alma, uma essência).
ABT/NA

21 agosto 2014

SOBRE O FUTURO

Hoje é o primeiro dia do nosso futuro. A semente contém desde logo a árvore, sua (con)sequência. A energia da ação (física, verbal ou mental) presente contém desde logo a energia do futuro, sua consequência. Esta é a inexorável lei do Carma: o presente está indelevelmente colado ao futuro, tal como a ação consciente presente (Kamma; em Sânscrito, Karma) está indelevelmente colada à sua consequência (Vipaka). Esse é o movimento, a manifestação, da vida (Samsara).
ABT/NA

20 agosto 2014

SOBRE O CAMINHO PARA A FELICIDADE INDELÉVEL

O caminho para a felicidade indelével consiste na conduta ensinada por Buda que constitui o Caminho do Meio, ou (Óctuplo) Nobre Caminho budista, o qual, por fazer desabrochar a Verdade Absoluta, acomoda os 4 referênciais para o seu entendimento (as 4 Sublimes Verdades).
ABT/NA

19 agosto 2014

SOBRE A SABEDORIA

O Sábio é aquele que conhece o caminho para a felicidade indelével e o percorreu inteiramente.
ABT/NA

15 maio 2014

VESAK 2014 -- O DIA DE BUDA

Comemora-se hoje, 14 de maio de 2014, o dia da lua cheia do mês de Vesak do calendário lunar indiano, que corresponde ao nascimento, iluminação e entrada em Nirvana de Sidhartha Gautama, o Buda, por muitos considerado o maior homem que a História conhecida da raça humana jamais produziu, e que se estima tenha vivido entre os anos de 563AC e 483AC. Este dia maior do calendário budista foi oficialmente instituído a nível mundial, no ano de 2000 pela ONU, Organização das Nações Unidas, como o Dia Mundial do Budismo. Nessa ocasião, o monge budista Bhikkhu Bodhi, de nacionalidade americana, nascido em 1944 e ordenado monge budista no Sri Lanka em 1972, discursando perante a Assembleia Geral da ONU, fez um discurso notável historiando o surgimento e o desenvolvimento do legado de Buda, do qual aqui, modestamente, se toma a iniciativa de apresentar algumas citações, em jeito de reverência ao professor inultrapassável que, após alcançar a Verdade Absoluta, dedicou os restantes 45 anos da sua vida, a ensinar os homens a vencer a dor e o sofrimento, e consequentemente a alcançar a paz profunda, pelo prosseguimento do caminho do Bem e da Verdade:

-- "A palavra [Buda] denota, não simplesmente um professor religioso singular que viveu numa época específica, mas um tipo de pessoa -- uma referência -- de que existiram muitos exemplos no decurso do tempo cósmico."
-- "O único papel de um Buda é redescobrir o Ensinamento, o derradeiro princípio da verdade, e estabelecer uma "revelação" ou herança espiritual, de modo a preservar o ensinamento para as gerações futuras."
-- "Uma vez que o sofrimento surge a partir das nossas próprias mentes, a cura deve ser alcançada no interior das nossas mentes, expelindo as nossas negatividades e delusões através da visão interior e direta sobre a sua realidade."
-- "Sendo a sabedoria, ou visão interior, o principal instrumento da emancipação, Buda pediu sempre aos seus discípulos que o seguissem com base no seu próprio entendimento, não a partir de obediência cega ou da aceitação de uma verdade não questionada. Ele incitou os buscadores a investigar o seu ensinamento, a examiná-lo à luz da sua própria razão e inteligência."
-- "Para os dominados por sofrimento, Buda afirmou recorrentemente a dura verdade de que a impermanência reina sobre todas as coisas condicionadas, incluindo o corpo físico de um `Iluminado´."
-- "O que é mais notável no que respeita à disseminação do Budismo através da sua longa história, é a sua capacidade de conquistar populações inteiras por meios pacíficos. O Budismo sempre se expandiu pelo preceito e  pelo exemplo, nunca pela força."

20 abril 2014

SOBRE A MENTALIDADE

"Na natureza nada se cria, tudo se transforma", disse-nos o douto Lavoisier.

No mental, como no material, nada se cria, tudo vai sendo construído; nada acontece, tudo vai acontecendo; tudo é processo, nada acontecimento individual.

Deixar o imediatismo e visar o que tem consistência, é mentalidade necessária.

ABT/NA

10 abril 2014

SOBRE A PUREZA

É por nós mesmos que o mal é feito,
É por nós mesmos que somos manchados.
É por nós mesmos que o mal é recusado,
É por nós mesmos que somos purificados.
A pureza e a impureza dependem só de nós.
Ninguém pode purificar outro.
Buda Sakyamuni

09 abril 2014

SOBRE A NEGATIVIDADE

Facilmente estamos atentos aos venenos do corpo, porém raramente vigiamos os, não menos perigosos, venenos da mente -- pensamentos negativos, ansiedades, medos, desejos obstinados, aversões, culpas, lamentações, angústias, mágoas, ressentimentos, iras, invejas, desânimos, soberba, imodéstia, ausência de solidariedade, etc, etc.
Inscientes da sua perigosidade, a todo o momento lhes permitimos que entrem e habitem o nosso edifício energético, e assim, inadvertida e inapelavelmente, o manchamos, enfraquecemos, degradamos e definhamos.
ABT/NA

08 abril 2014

SOBRE O QUE É

Mencionar a Verdade, a Realidade ou Nirvana é falar da mesma coisa. Essa coisa é a "outra margem", é o Indizível, a Imortalidade, a Totalidade; para tentar uma ponte com "esta nossa margem", poderia dizer-se que é a "Paz Absoluta", ainda que, na Realidade, nada haja que seja percecionado, nem mesmo a Paz Absoluta. É por isso que é Indizível.
ABT/NA

07 abril 2014

SOBRE NIRVANA -- I

"Monges, existe o não-nascido, não-nutrido e não-condicionado*. Se não existisse o não-nascido, não- nutrido e não-condicionado, não haveria escape do nascido, nutrido e condicionado. Mas como existe o não-nascido, não-nutrido e não-condicionado, então há escape do nascido, nutrido e condicionado."
Buda Sakyamuni

*-- Não-nascido, não-nutrido e não-condicionado é uma expressão para Nirvana.

SOBRE NIRVANA -- II

"Aqui*, os quatro elementos de solidez, fluidez, calor e movimento não têm lugar; as noções de comprimento e de largura, de subtil e de grosseiro, de bem e de mal, de nome e de forma, são totalmente destruídas; tal como não são possíveis as noções deste mundo nem do outro, de vir, ir ou ficar, de morte e de nascimento, nem a existência de quaisquer objetos sensoriais, i.e., de algo que possa ser percecionado."
Buda Sakyamuni

*-- Buda referia-se a Nirvana (sem Grupos de Existência)

31 março 2014

Resposta a Methanoia sobre Vipassana

Caro amigo meditante Methanoia2012, lamentamos o nosso lapso de não termos respondido à sua questão. Mas, como se costuma dizer, `mais vale tarde que nunca..., aqui lhe enviamos, com as nossas desculpas, a resposta à sua questão.

A Vipassana é basicamente um treino para se desenvolver uma atenção desprendida, sem envolvimento emocional, no apercebimento da realidade, muitas vezes designada por `atenção plena´ mas à qual preferimos chamar `atenção vigilante´ por ser na verdade semelhante à atitude do vigilante ou do sentinela que, na sua guarita, procura estar ciente de tudo o que surja, de tudo o que se manifeste no seu raio de visão, e isso sem qualquer interferência sua (no sentido de corrigir, precaver, recusar, reter, etc), porque aquilo em que está interessado é em saber a natureza intrínseca daquilo que se manifesta, não constituindo, por outro lado, qualquer problema para ele se se der o caso de nada se manifestar (ele está desprendido, não interferente, ainda que com toda a lucidez). Esse treino visa assim desenvolver a nossa capacidade para percecionar a verdadeira natureza da realidade, i.e., sem a deformação que a introdução do nosso lado emocional coloca, já que é necessariamente subjetivo e parcial e, portanto, propiciador de uma perceção manchada por erro. 

Na prática, a realidade de onde se parte é a nossa própria realidade física e mental. Trata-se, portanto, de uma observação (que é desenvolvida, de acordo com o discurso de Buda chamado Satipatthana Sutta, em 4 planos: I- O Corpo; II- As Sensações; III- A Mente; e IV- Os Objetos Mentais). A observação de uma qualquer coisa é mais profícua quando a podemos observar de forma contínua e durante um maior intervalo de tempo. É por isso que a concentração é importante para a Vipassana, porque quanto maior for a concentração, mais tempo podemos estar focados nessa atitude de observação desprendida, sem focalização em qualquer objeto específico, mas porém, capazes de percecionar diretamente qualquer coisa (confortável ou não, apetecível ou não, repugnante ou não) que surja no horizonte do meditante sem qualquer interferência sua.

Por essa razão, o treino na Vipassana tem vantagem quando é antecedido de um treino para desenvolvimento da concentração (meditação Samatha), o qual é exercido através do treino na focalização contínua num único objeto, cujo desenvolvimento tem diversas fases, sendo a última a fase das absorções meditativas (ou Jhanas). Considera-se suficiente como nível de concentração a alcançar para a prática de Vipassana em boas condições, o chamado `Patamar de Vizinhança´ -- vizinhança dos níveis de Absorção Meditativa --, não sendo portanto necessário entrar neste último patamar, o das absorções, já que o patamar de vizinhança já confere suficiente estabilidade e continuidade de observação (sem as frequentes e inevitáveis interrupções do início) na prática meditativa.

(NOTA: a prática desenvolve-se pondo de parte qualquer elaboração mental; assim, todas as referências e fases atrás referidas nada têm de conceptual (nada há que entender à partida), antes é o próprio desenvolvimento da prática que vai evidenciando em que fase vai estando o praticante. Contudo, é sempre aconselhável, quando possível, ter o apoio de um professor de meditação, alguém que é suposto ter percorrido até ao fim toda a prática da meditação, estando assim em condições de entender o tipo de dificuldade ou desvio que esteja a ocorrer na prática de cada orientando)

Para maior desenvolvimento deste assunto, em português, recomendamos o livro "O Ensinamento de Buda" de Walpola Rahula, editorial Estampa e o livro "O Caminho do Meio -- a prática budista" de Bhikkhu Bodhi, editora Pergaminho.

Desejamos-lhe boa sorte na sua pesquisa e no seu caminho espiritual.
Ao seu dispor para quaisquer esclarecimentos adicionais

Metta
Nuno Aragão

SOBRE A INDEPENDÊNCIA

Ser independente é compreender, no âmago e sem drama, que, em última análise, estamos inapelavelmente sós no universo. Só então a socialização é autêntica, cristalina, libertadora e propiciadora do voo sereno para o infinito de cada momento. 
ABT/NA

20 fevereiro 2014

SOBRE A PERFEIÇÃO

Não temos que ser perfeitos, mas sim fazer o nosso melhor (o qual pode sempre melhorar). Essa é a única responsabilidade a assumir. A imperfeição ou a fragilidade não são defeitos, mas aspetos inevitáveis da condição humana. Está tudo bem assim. É perfeito não ser perfeito.
ABT/NA 

13 fevereiro 2014

SOBRE A FELICIDADE

       Muitas pessoas acreditam que a felicidade
       É a satisfação dos anseios do ego,
       Mas essa satisfação esconde, no seu seio,
       A raiz da perturbação e da infelicidade.
       ABT/NA